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| Prancha 22 de 'O Arquivista', da fantástica dupla Schuiten / Peeters. Uma bela, muito bela homenagem ao grande escritor Jorge Luis Borges |
sábado, 31 de dezembro de 2011
BOM ANO A TODOS!
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francisco oneto
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
FREI FADO D'EL REI - MENINO DO MAR
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SUSAN SEDDON BOULET (1941-1997) - BEAR WOMAN AND THE DREAM CHILD
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WENDY STEWART (HARP) CANTA RUDYARD KYPLING - HARP SONG OF THE DANE WOMEN
HARP SONG OF THE DANE WOMEN
WHAT is a woman that you forsake her,
And the hearth-fire and the home-acre.
To go with the old grey Widow-maker?
She has no house to lay a guest in
But one chill bed for all to rest in,
That the pale suns and the stray bergs nest in.
She has no strong white arms to fold you,
But the ten-times-fingering weed to hold you
Out on the rocks where the tide has rolled you.
Yet, when the signs of summer thicken,
And the ice breaks, and the birch-buds quicken,
Yearly you turn from our side, and sicken- -
Sicken again for the shouts and the slaughters.
You steal away to the lapping waters,
And look at your ship in her winter-quarters.
You forget our mirth, and talk at the tables,
The kine in the shed and the horse in the stables
To pitch her sides and go over her cables.
Then you drive out where the storm-clouds swallow,
And the sound of your oar-blades, falling hollow,
Is all we have left through the months to follow.
Ah, what is Woman that you forsake her,
And the hearth-fire and the home-acre,
To go with the old grey Widow-maker?
(Rudyard Kypling)
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WENDY STEWART (HARP) - THE JANUARY MAN
Porque estamos prestes a iniciar um ano, o ciclo dos doze. Saberes da terra e dos rios que cantam, calendários e ritmos, mistérios da temporalidade das estações, dos ventos, das plantas e dos bichos... Como cegonhas trazendo bébés, corvos que falam, andorinhas na luz da Primavera e fantasias sonhadas nas estrelas, à noite, à noite...
The February man still wipes the snow from off his hair and blows his hand
The man of March he sees the Spring and wonders what the year will bring
And hopes for better weather
The man of May stands very still watching the children dance away the day
In June the man inside the man is young and wants to lend a hand
And in July the man in cotton shirts he sits and thinks on being idle
The August man in thousands take the road and watch the sea and find the sun
September man is standing near to saddle up and lead the year
And Autumn is his bridle
The man of new October takes the reins and early frost is on his shoulder
The poor November man sees fire and wind and mist and rain and winter air
December man looks through the snow to let eleven brothers know
And the January man comes round again in woollen coat and boots of leather
To take another turn and walk along the icy road he knows so well
The January man is here for starting each and every year
Along the way for ever
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francisco oneto
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
A CONTAMINAÇÃO (NOTAS SOLTAS EM TORNO DA PROPOSTA DE UM "NOVO HUMANISMO" SEGUNDO JULIA KRISTEVA)
Escreveu Julia Kristeva, no âmbito de um encontro inter-religioso que teve lugar em Assis, mais um texto programático intitulado «Um Novo Humanismo em 10 princípios». Articulando sequencialmente os ditos princípios, as causas e os efeitos, lê-se no nono princípio que...
«O humanismo não será um regulador do liberalismo: ao contrário, será capaz de transformá-lo, sem inversões apocalípticas ou promessas de futuros gloriosos. Tomando-se o seu tempo, criando uma nova vizinhança e solidariedades elementares, o humanismo acompanhará a revolução antropológica que é anunciada, tanto pela biologia que emancipa as mulheres, quanto pelo deixar-fazer da técnica e das finanças, e pela impotência do modelo democrático-piramidal, que não consegue canalizar as inovações.»
Esta é a via da paciência. Espera-se que o humanismo acabe por triunfar sobre a desumanidade e a injustiça, sem sobressaltos, apagando, por exemplo, o massacre da Praça de Tianamen atrás das luzes e dos sorrisos de negócios, mais a dignidade dos presos de consciência, dos peticionários, dos tradicionalistas da Falun Gong, crentes de que água mole em pedra dura... Para trás ficarão os mártires do regime de iniquidade global em que vivemos, as vítimas e a sua memória de sofrimento e de luta. E não me ocorre agora melhor exemplo próximo do que aquele que ilustra, precisamente, a minha convicção de que o capitalismo é intrinsecamente desumano, não se compadecendo os "mercados" com quaisquer valores de dignidade e solidariedade, nem mesmo para os "bons alunos". Esse exemplo é "Levantado do Chão", o livro em que Saramago ilustrou com tocante sensibilidade a vida escrava dos famélicos da terra do latifúndio alentejano de Monte Lavre, bem como as formas particularmente insidiosas e degradantes de que se servem os ricos e os poderosos para explorar os fracos. Para os condenar à escravidão do dinheiro e do trabalho indigno, da fome e da doença, da miséria e da morte... Como os ranchos de filhos que, a sul como a norte, eram dados para trabalhar como criados em casas mais abastadas, ou como aprendizes de algum ofício ingrato - autênticos escravos (veja-se, por exemplo, os serradores na prosa de António Vitorino)... Separados compulsivamente dos pais, dos irmãos e do local de nascimento, por não poderem os pais sustentá-los...; como idêntica descrição de Aquilino Ribeiro para o Pedrógão; ou como o arrepio daquela observação tão cruel registada por Redol em Avieiros, quando diz que na vida de pobreza que era a dos "ciganos do rio", "dava-se graças a Deus pelos filhos que morriam"... - por representarem mais bocas para sustentar e não haver que lhes dar... Caramba! Nada mais ignóbil e contranatura do que dar graças pela morte de uma criança. Em Saramago, esta mesma realidade portuguesa de outrora - o da vida dos miseráveis, dos humilhados e ofendidos - é escalpelizada, revelando os contornos da desumanidade que marcava as relações sociais na planície alentejana no Portugal da ditadura:
«Cresce a família, mesmo morrendo muitos infantes de suas doenças de caganeira líquida, desfazem-se em merda os pobres anjinhos, e extinguem-se como pavios, braços e pernas mais gravetos que outra coisa, e a barriga inchada, e estão assim, até que, chegada a hora, abrem pela última vez os olhos só para verem ainda a luz do dia, quando não acontece morrerem às escuras, no silêncio do casebre (...)»
Tragicamente, este cenário não era exclusivo do Alentejo. Num país pobre e sob o jugo férreo da ditadura, a taxa de mortalidade infantil portuguesa era a vergonha da Europa. Aquando da minha pesquisa de terreno no topo norte do Pinhal de Leiria ouvi inúmeras destas narrativas acerca dos efeitos das febres intestinais, das desinterias que, pelo tempo mais quente, dizimavam os mais novos. Houve até quem lhe chamasse "a vindima das crianças". Mas ouçamos Saramago:
«(...) Mas o erro está em julgar que transcendências dessas só nos livros se encontram, quando, em verdade basta um relance de olhos, um minuto de atenção, apreciar como brincam o gato e o rato, como este é comido por aquele. Porque a questão, a única questão que importa, é saber a quem aproveita realmente a inocência primeira do jogo, por exemplo, deste brincar que não foi nunca inocente, que é dizer o capataz aos trabalhadores, Vamos lá correr, para ver quem é o último. E os inocentes, esses sim, cegos ao claro engano, iam de Monte Lavre a Vale de Cães a trote, a galope, a rasto, para conquistarem a glória de chegar em primeiro lugar ou a satisfação conformada de não ser o derradeiro. Porque o último, há sempre um que é o último, não se pode evitar, vai ter de ouvir as vaias, as troças dos triunfadores esbaforidos, já sem fôlego, (...) não és homem nem és nada. Que Portugal é um país de homens, é o que não falta, só não o é o último de cada corrida, chega-te para lá molengão que não mereces o pão que comes. Mas os brinquedos não acabaram. O último a chegar, se tem vergonha na cara, vai querer ser o primeiro a carregar, sempre é uma compensação. Está a armar-se o monte de lenha donde sair feito o carvão, e tu dizes assim, depois de teres posto uma saca nas costas para não sentires tanto a dor que vem aí, Levantem lá esse pau, que quem o leva sou eu. Está o capataz a olhar, é preciso provar aos camaradas que és tão homem como eles, e além disso não podes ficar sem trabalho a semana que vem, tens os filhos, e então dois levantam o pau, não são os teus filhos mas é como se fossem, já eles gemem do esforço, e põem-to em cima dos ombros, tu baixaste-te como um camelo, parece que já viste algum, e quando sentes a carga vão-se-te os joelhos, mas fincas os dentes, retesas os rins e aos poucos vais-te aprumando, é um tronco enorme, uma pernada gigantesca, julgas até que tens aos ombros um sobreiro de cem anos, e dás o primeiro passo, que longe está o monte da lenha, os camaradas a olhar, o capataz, Sempre quero ver se aguentas, se aguentares és um valente. É isso mesmo, ser um valente, aguentar o pau e as omoplatas que rangem, o coração, para ficar bem visto pelo capataz, que irá dizer a Adalberto, (...) mas por enquanto só deste três passos, A tua vontade já é deitar a carga para o chão, mas isso pede-o o corpo violentado. A alma, se a ela tens direito, o espírito, se o pudeste parir dentro de ti, dizem-te que não podes, que preferirás rebentar a ficar mal visto na tua terra, fracalhote, tudo menos a vergonha.»
Passos Coelho e o seu governo mais não fazem do que a gestão da penúria, legitimando o saque; são como capatazes ou feitores, sangrando os da sua igualha para agradar ao patrão alemão e francês, em benefício dos predadores. Mais austeridade! Mostrem que sabemos ser explorados, roubados, espoliados, e ainda assim lhes damos o voto, calamos e suportamos estoicamente a arrogância, a opulência, a infâmia dos ricos e poderosos, dos onzeneiros e dos escroques. Chamam eles a isto fé? Chamam a isto "ser bom aluno"? Querem o preço do trabalho a degradar-se para competir com o chinês?
Não sei se, como diz Julia Kristeva, «o Humanismo acompanhará a revolução antropológica». Mas sei que às transformações do presente não chamarei revolução. É certo que há bons pensadores que falam numa "revolução cultural liberal", mas eu prefiro não desvirtuar a palavra nem o seu verdadeiro sentido histórico. Estamos, sem dúvida, perante uma mutação antropológica - aliás, já várias vezes identificada em diversos contextos disciplinares - mas a direcção destas mudanças não adivinha nada de bom. A ultrapassagem do humano está aí - nos laboratórios e nos negócios. O parque humano gere-se, como um campo de produção de animais para consumo, para serem devorados. Consumidos e rapidamente substituídos, daí a evidente neotenização (também sob o impacto do digitalismo) do vínculo social. Assistimos presentemente, por virtude da chamada "crise" e das políticas que lhe dão expressão (isto é: o saque do capital sobre o trabalho), a um manifesto retrocesso civilizacional. Estranho, por isso, a ideia final de Julia Kristeva segundo a qual...
«a refundação do humanismo não é nem um dogma providencial, nem um jogo do espírito: é uma aposta. A era da suspeita não é mais suficiente. Diante das crises e das ameaças cada vez mais graves, chegou a era da aposta. Devemos ter a coragem de apostar na renovação contínua das capacidades dos homens e das mulheres de crer e de saber juntos».
A mim, parece-me uma visão excessivamente marcada pela incerteza, pela indecidibilidade do sentido que caracteriza o próprio capitalismo e as suas inevitáveis contradições, ou seja: para melhor se exprimir, adoptou a marca que pretende combater, na ilusão de reformar o mal, ou de, como diz, «transformar o liberalismo». Mas por imperativo de consciência, a defesa intransigente da ética do cuidado e da atenção ao outro, a afirmação da dignidade humana, da solidariedade, da cooperação e da amizade - como valores infinitamente superiores aos da competição e do assistencialismo preconizados pela Besta - não se pode reduzir à imagem simples de uma aposta, mesmo que esta não seja suportada por nenhum vício ideológico mas apenas pelo poder sugestivo da imagem. Uma aposta, como num casino... E para compor a coisa, eis-nos que aparece também aqui um resquício da conversa empresarial acerca da "inovação". No primeiro excerto que citei, dá-se a entender que os sistemas democráticos tal como os conhecemos, são obstáculo à inovação - o que, na óptica dos fluxos de capitais, constatamos ser verdade, ou não estivesse o próprio projecto europeu refém dos mercados de capitais, depois de anos de desinstitucionalização, de desmantelamento de infra-estruturas produtivas e disseminação das redes virtuais globais. Os quotidianos digitalizaram-se... Daí, não se percebe a "aposta" de que fala Kristeva, já que a tal "renovação contínua" é parte normal do processo histórico. O mesmo processo que nos trouxe a técnica e a finança em roda livre e a democracia derrotada pelos mercados, como ela própria sugere lá mais acima... Por tudo isto, e muito mais, é essencial recuperarmos a dimensão telúrica, ecológica e cósmica das nossas existências, e tornarmo-nos capazes de relativizar um pouco, de nos posicionarmos criticamente... Esta dimensão antropológica fundamental encontro-a, por exemplo, na proposta humanista de Edgar Morin (Os Sete Sabres Necessários à Educação do Futuro) e, também, no ecologismo fenomenológico, no perspectivismo, em Ingold, Viveiros de Castro ou Descola ...
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francisco oneto
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Marcadores: a condição humana, antropologia
A-VENTURE
Better men have realized alone is not a venture,
A decent man would realize alone is not a venture,
Just to hide away, hide away...
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francisco oneto
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terça-feira, 27 de dezembro de 2011
PROCESSUALIDADE, INACABAMENTO, DEVIR...
«Europe came to be the birtht place of a transgressive civilization - a civilization of transgression (and vice versa!). We may say that if it is measured by its horizons and ambitions (though not always by its deeds), this civilization, or this culture, was and remains a mode of life that is allergic to borders - indeed to all fixity and finitude. It suffers limits badly; it is as if it drew borders solely to target its intractable urge to trespass. It is an intrinsically expansive culture - a feature closely intertwined with the fact that Europe was a site of the sole social entity that in addition to being a civilization also called itself 'civilization' and looked at itself as civilization, that is as a product of choice, design and management - thereby recasting the totality of things, including itself, as an in-principle-unfinished object, an object of scrutiny, critique, and possibly remedial action. In its European rendition, 'civilization' (or 'culture', a concept difficult to separate from that of 'civilization' despite the philosophers' subtle arguments and the less subtle efforts of nationalist politicians) is a continuous process - forever imperfect yet obstinately struggling for perfection - of remaking the 'World'.»
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| Schuiten / Peeters - A Fronteira Invisível |
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francisco oneto
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Marcadores: política
EUROPA
«(...) 'To seek Europe (...) is to make it!' 'Europe. exists through its search for the infinite - and this is what I call adventure.' Adventure? According to the Oxford English Dictionary, in Middle English that word meant anything that happened without design - a chance, hap, luck. It also meant a happening pregnant with danger or a threat of loss: risk, jeopardy; a hazardous enterprise or hapless performance. Later, closer to our own modern times, 'adventure' came to mean putting one's chances to the test: a venture, or experiment - a novel or exciting endeavour as yet untried.»
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| Fotografia da nave do Space Shuttle Columbia |
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Marcadores: política
sábado, 24 de dezembro de 2011
Ó MEU MENINO JESUS (RECOLHIDO POR MICHEL GIACOMETTI)
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A SENHORA DOS LÍRIOS (WILLIAM-ADOLPHE BOUGEREAU - 1825-1905)
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francisco oneto
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
MATSYANYAYA II (SOLSTÍCIO DO INVERNO...)
Passos Coelho - tal como Sócrates, seus partidos e suas clientelas - não passa de um vende-pátrias. Falho de apontar algum rumo para o futuro que não o da destruição da economia e o "salve-se quem puder", o primeiro ministro deve ter lido o meu post anterior e, num rasgo de inspiração, ei-lo a aconselhar aos nossos diplomados os mercados de trabalho angolano e brasileiro. O conselho "Emigrem" (que motivou este belíssimo texto) é congruente com o desprezo da pátria, senão mesmo de toda a decência por parte dos lacaios do capital que nos governam. Porque o capital não tem pátria, daí o ocaso da confiança e o desrespeito pelos valores do velho mundo, da velha Europa e das suas nações... O capitalismo total destes ultras que nos governam - desta gente que acha que "neoliberalismo" é apenas uma arma de arremesso ideológico - precisa de conquistar novas fronteiras para os mercados, garantindo a acumulação e continuidade da destruição. Roubando os mais desprotegidos, atirando milhões para a miséria, para o desemprego, para as listas de espera na saúde, etc... A saque, literalmente, sob a pressão dos onzeneiros e dos prestamistas.
O ultraje prosseguiu depois com o eurodeputado Paulo Rangel a sugerir a criação de gabinetes de apoio à emigração. Com as mordomias e o salário de que usufrui, o eurodeputado Paulo Rangel deve julgar o mundo pelos padrões da sua zona de conforto. Mas a mão de obra querem-na eles submissa, flexível, fluída, sujeita às contingências dos predadores - esses sim - invisíveis, a coberto da diluição de responsabilidades implícita nos modos digitais de governar, no empowerment, na devastação do outsourcing, na progressão rizomática da virtualidade dromológica da rede digital global, às ordens das cotações, dos ratings, dos poderosos interesses representados na banca e nos grande conselhos de accionistas, com os seus mecanismos globalizados, as suas Merkels, os seus von Rompuys, os seus Barrosos, mais os homens-de-mão do Partido Popular Europeu, os esbirros da Trilateral e demais criminosos. Chegou-se ao ponto de ver um dos responsáveis pela ocultação do desastre das contas públicas da Grécia ser nomeado para gerir... Ah!... que asco! E os criminosos da Goldman-Sachs e quejandos? Todos em lugares de destaque, usufruindo da "crise"... Qual raízes, qual família, qual pátria, qual quê? Aqui chegados, eis-nos, então, perante uma das piores condenações decorrentes do óbito da nossa independência. Óbito? Sim, Portugal morreu (Eduardo Lourenço dirá que Portugal desceu ao túmulo...). É ver a venda de activos ao desbarato, nos saldos da humilhação moral, servindo os interesses do capital (que, por não ter pátria, é angolano e chinês quando convém, pois os "negócios" falam sempre mais alto do que a moralidade). Há sempre quem ganhe e faça bons negócios, claro. É o natural orgulho dos vende-pátrias - dos que da nossa terra fazem madrasta, acabando com parcos subsídios e direitos, destruindo o bem-estar de muitos, muitos portugueses, na educação e na saúde, bem como na desigualdade fiscal e no roubo consentido que representa a existência de zonas francas, offshores... E atenção, malta da minha geração: daqui a 20 anos, as reformas terão baixado 50%, como anunciou esta semana o primeiro-ministro. Teremos um pais de velhos pobres, deserto no interior. As cidades degradadas, assoladas pela miséria e infestadas de bandidos. Não resta mais que amaldiçoar a ideologia do progresso e do crescimento; amaldiçoar o produtivismo e o dogma da economia, com a imaculada escassez e o seu fetichismo doentio; e deplorar a corrosão dos valores, da ética, dos princípios da mais elementar justiça e do bom-senso...
Matsyanyaya... Estamos, portanto, entregues aos predadores, a mando da besta e dos seus vitoriosos acólitos... Uns contra os outros. Assaltos, crimes, explosões em multibancos e tiros contra portagens de auto-estrada, contra pessoas, contra negociantes de ouro, carjacking, assaltos... Matsyanyaya, a Lei dos Peixes: os grandes devoram os pequenos sem impedimento, tal como enunciou também o Padre António Vieira no seu Sermão de Santo António aos Peixes. Eis o homem novo do liberalismo. Não pensa, devora. É, aliás, como pura devoração que o peixe tem sido pensado em diversas latitudes culturais e diferentes momentos históricos, desde o Leviathan, o monstro do abismo, às formas mais sofisticadas de predação realizadas por via dos impostos - o estado fiscal de classe, como sempre alerta o João Rodrigues. Mas a realidade da fome, da pobreza, da opressão e da destruição de paisagens, espécies, recursos, comunidades humanas e países inteiros, até... é, afinal, a realidade da dor. Do sofrimento. E é disto que temos, cada vez mais... Que tempos tão sombrios e tristes...
Onde está a Luz do Mundo? Hoje, precisamente. O pináculo da escuridão. A noite mais longa. O Solstício do Inverno. Faltam algumas horas...
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Marcadores: a condição humana, faces da besta, política
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
VALSA TRISTE
Por favor, não pensem em nomes próprios ou impróprios mais ou menos conotados com certas vicissitudes do escárnio burguês. Não pensem nos estereótipos de um qualquer suposto bom gosto forjado pela classe dominante - essa eterna burguesia vitoriosa e arrogante que sempre desprezou o povo humilde, o proletário, o assalariado rural. Sobretudo, não pensem em música pimba - a imunda caricatura de um povo induzida pela modernidade alarve do betão, do automóvel, dos concursos televisivos e do dinheirismo - uma caricatura feita ao espelho pelos oportunistas do desenrascanço sob a influência de uma herança madrasta, de falta de educação e idiotia, do que de pior têm os toscos liberalismos de costumes e as exigências comerciais da K7 pirata e do CD de feira. Livrem-se desses estigmas e preconceitos, e suspendam os vossos juízos apressados, porque nada disso está aqui presente. E ainda mais importante: livrem-se de pensar em qualquer forma de saudade pelo Portugal salazarento que nos anos 60 forçou a partida de tantos homens, mulheres e crianças, fugindo à miséria, à fome, à opressão, ao atraso... Depois, então, com calma e espírito aberto, oiçam esta valsa triste. Saboreiem o tom dolente, a melodia ingénua, profunda e bem construída. Perscrutem o sentimento de pesar ansioso que escorre dessa matricial ideia romântica que é a simples vontade de voltar à pátria, às raízes, à origem... para morrer. Agora, que somos outra vez um país dominado, e agora que a emigração atinge novos máximos, deixem escorrer a tristeza nesta valsa triste, tão triste... E bela, muito bela...
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francisco oneto
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sábado, 10 de dezembro de 2011
BARDAMERDA SRA MERKEL!
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| VIA 'LADRÕES DE BICICLETAS' |
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francisco oneto
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Marcadores: faces da besta











