sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

BOM FIM-DE-SEMANA!




God grant me the serenity to accept the things I can not change
Courage to change the things I can
And the wisdom to know the difference

I am not like I was before
I thought that nothing would change me
I was not listening anymore
still you continued to affect me

I was not thinking anymore
althought I said I still was
I'd said "I don't want anymore"
because of bad experience

but now I feel so different
I feel so different
I feel so different

I have not seen freedom before
and I did not expect to
don't let me forget now I'm here
help me to help you to behold you

I started off with many friends
and we spent a long time talking
thought they meant every word they said
but like everyone else they were stalling

and now they seem so different
they seem so different
they seem so different

I should have hatred for you
but I do not have any
and I have always loved you
oh you have taught me plenty

the whole time I'd never seen
all you had spread before me
the whole time I'd never seen
that all I'd need was inside me

now I feel so different
I feel so different
I feel so different.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

INSTANT KARMA



(DO FILME "O REI PESCADOR", de TERRY GILLIAM)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A CONTEMPLAÇÃO DO MISTÉRIO

“Wisdom requires not only the investigation of many things, but contemplation of the mystery.”
(Jeremy Narby - The Cosmic Serpent: DNA and the Origins of Knowledge)


UM ANO...


(ANDREI TARKOVSKI - NOSTALGHIA, 1983)

Foi exactamente há um ano...
Hoje, ocorre-me apenas uma palavra e a mesma imagem que então lhe associei: helplessness, como em 'Frantic' de R. Polanski, quando Michelle (Emanuelle Seigner) é baleada pelas costas num cais junto ao Sena e, ainda assim, continua a caminhar, vacilante, já sem um sapato, até desfalecer e se esvair.


RICHARD THOMPSON - I'LL BE TAKING MY BUSINESS ELSEWHERE

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CONTRA A DESUMANIDADE DO CAPITALISMO, CONTRA O CULTO DO DINHEIRO, PELA GRATUIDADE DA VIDA

Hans Brasen (1849-1930) - por via do esplêndido blog OLD PAINT, entretanto censurado pelas razões mais estúpidas que se possam imaginar: confundir o nu na arte com pornografia. Por isso, o OLD PAINT migrou para AQUI

É com grande desgosto que tenho vindo a constatar que a esmagadora maioria dos estudantes de ciências sociais não lê em francês, por terem tido currículos que reflectem já a formatação hegemónica da língua inglesa como língua-franca do comércio global. Por isso, as bibliografias de estudo assentam agora, sobretudo, em autores ingleses e americanos ou, genericamente, de expressão anglo-saxónica. Hoje, porém, é cada vez mais urgente que as novas gerações redescubram a originalidade do pensamento francês contemporâneo. Aqui deixo alguns exemplos, com dedicatória especial a todos os que têm a ousadia e a bondade de ir deixando uns comentários.

DANY-ROBERT DUFOUR



PAUL ARIÈS



SERGE LATOUCHE

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

LHASA DE SELA (Setembro de 1972 - Janeiro de 2010)

Em Janeiro de 2010, com apenas 37 anos, morreu Lhasa de Sela, depois de uma longa luta contra o cancro... Uma das vozes mais ternamente belas e intensas que alguma vez ouvi...
Já lá vão dois anos, querida Lhasa, alma gentil... e ainda não me deixaste...







domingo, 29 de janeiro de 2012

ZULYA - TALES OF SUBLIMING

Entre as melhores coisas que me sucederam no ano transacto (que, escuso de dizer, foi um ano devastador...), foi ter ouvido esta canção. A Zulya tocou-me no coração...




A TALE OF LOVE AND DEATH
(music – Justin Marshall, words– Zulya Kamalova)

Oh how in love were we,
So sweet and carefree.
All of eternity
Belonged to us it seemed.
We lost ourselves, we laughed and waltzed around.
The hours and days went by,
Like in a dream we sailed.
Our time has slipped away,
The tale is near the end.
Another year goes by, another candle...
Let the music play, my love, all night till sun returns.
Let the angels and the demons dance in splendour.
There’s time to talk, although, my love, let us not say any words.
Only eyes and hearts, calm and tender.
When one of us is done
With this mysterious game.
This little song will stay and carry on the same, la la la la.
And the pain it will fade...
Let the music play, my love, all night till morning comes.
Let the angels and the demons be triumphant.
We still can sing of life and spring, we will sing of our sweet love.
And of death?... of death we'll be silent.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

I CANNOT KEEP FROM CRYIN' SOMETIMES...

Martin Simpson, grande e genial instrumentista, um dos mais brilhantes executantes mundiais de guitarra acústica, dominando uma variedade de estilos de picking para guitarra e para banjo, de slide e muitas outras técnicas, com um vastíssimo e precioso repertório que vai das velhas baladas inglesas do século XVIII até aos Apalaches e ao Delta do Mississipi...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

PARADA DE MONSTROS


Depois do triste espectáculo dado por Mário Crespo na sua entrevista da semana passada a Arménio Carlos, da CGTP, o Jornal das 9 da SIC Notícias continua imparável. Na segunda-feira, foi a vez de ouvirmos Patrick Monteiro de Barros, o empresário luso-americano que se propõe construir umas centrais nucleares em Portugal, auxiliado por um poderoso lóbi onde avultam os nomes de destacadas figuras de empresários e académicos, e no seio do qual nomes como o de Demétrio Alves (PCP) ou Henrique Neto (PS), ombreiam com Mira Amaral, João Duque, Campos e Cunha ou João Salgueiro – um consenso patriótico, portanto (sobre a temática, vide o que escrevi aqui, aqui, aqui e aqui). Foi interessante ouvir este apóstolo da radioactividade dizer que nem precisávamos de importar urânio, que temos cá muito, e que o nuclear é limpo e seguro, pois enquanto os acidentes com barragens já mataram milhares de pessoas em todo o mundo, a energia nuclear não, sendo prova disso o reduzido número de mortes causados pelos desastres de Chernobyl e Fukushima. Brilhante!... Para este senhor, só sairemos da crise com crescimento, mas para haver crescimento é preciso baixar os custos de produção para que a nossa economia se torne competitiva (a fantasia do costume), o que significa - para além da redução dos custos do trabalho em que se materializa o saque em curso - que precisamos de energia barata. Ora energia barata é a nuclear, já que nas fósseis, as sua próprias empresas sofrem grandes revezes, para além de que ele, coitado, tem uma sensibilidade ecológica muito grande (como se depreende da sua alusão ao problema do dióxido de carbono, que poluente, que horror…), a hidroeléctrica e o carvão blá blá e as renováveis são - diz ele - "um desastre". E será isto que ele vai dizer hoje mesmo ao American Club. O lóbi nuclear está de volta. Preparemo-nos, pois, para o pior…

Pareceu-me notória a deferência do entrevistador para com o empresário radioactivo, tal como antes para com o humilde trabalhador Alexandre Soares dos Santos, contrastando vivamente com o tratamento que deu a Arménio Carlos e a uma ou outra figura da esquerda que por ali passa de quando em vez, para manter a imagem do pluralismo. Mas são subjectividades e os jornalistas também têm direito a elas, pois claro, para além de que televisão, só vê quem quer. Mas ontem mesmo, Mário Crespo entrevistou quem? Essa destacadíssima figura do comentário político que é Zita Seabra. Entre as muitas pérolas com que o Mário e a Zita brindaram os telespectadores, destaca-se a ideia de que “exploração” de facto, não existe, é coisa do passado. O que há - diz ela - é apenas a irresponsabilidade da CGTP e até mesmo a convicção de ambos de que para esta corrente sindical, quanto menos se trabalhar melhor. Brilhante, uma vez mais! Melhor ainda, foi a expressão dessa inefável epifania que leva também Zita Seabra a dizer que ‘neoliberalismo’ é apenas um “chavão ideológico”. Merecia palmas, pois então! É preciso uma grande cabeça para fazer tal afirmação, até porque idêntica opinião têm Vítor Bento, João Duque, Cantiga Esteves, César das Neves, Marques de Almeida, eu sei lá… Depois do tratamento especial que durante o consulado Sócrates se deu ao termo “privilégio” (foi nesta época histórica do socialismo que um idoso com uma pensão de 380 euros e acesso a um médico de família ou um desempregado com direito a subsídio de desemprego passaram a ser “privilegiados”), hoje, o espectáculo da vitória da classe dominante sobre o valor e a dignidade do trabalho, ajuda a clarificar o sentido da palavra ‘alienação’, enquanto negação e inversão total de perspectivas sobre a realidade das relações sociais. Assim, para mim tenho que rotular o termo ‘neoliberalismo’ de chavão ideológico é, justamente, o mais vulgar e asqueroso chavão ideológico usado pelos apóstolos do deus-mercado, perfeito conúbio entre ignorância e desonestidade intelectual.

RECONHECIMENTO DE PADRÕES

Importante nota que encontrei no livro Life Within Limits. Weel-Being in a World of Want, do antropólogo Michael Jackson (2011):

«Recent research suggests that the greater one's sense of uncertainty and not being in control of one's life, the greater the likelihood that one will have recourse to the "futile pursuit" of "illusory patterns." "For example, children of lower economic status overestimate the size of coins as compared with the wealthy, and hungry individuals are more likely to see food in ambiguous images." Jennifer A. Whitson and Adam D. Galinsky, "Lacking Control Increases Illusory Pattern Perception," Science 322, no. 5898 (3 October 2oo8), 1 15- 17.»

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

FRANCISCO VARELA (7 Setembro 1946 – 28 Maio 2001)



Entrevista com Francisco Varela, um dos mais notáveis pesquisadores da última fronteira - a consciência! - e criador, com Humberto Maturana, da teoria da autopoiese. Da neurofisiologia ao budismo, da cibernética à fenomenologia e à filosofia da educação... Confesso que a minha visão do mundo mudou com a leitura de The Embodied Mind (Francisco Varela, Eleanor Rosch e Evan Thompson) - até porque já antes me tinha deixado cativar pelas estâncias de Nagarjuna e por Chuang Tzu. Descobri o livro em meados dos anos noventa, em Londres, numa deliciosa livraria em Camden Town (que me fez lembrar a saudosa "Quadrante" da minha juventude, na Luis Bívar, mas mais "alternativa"...) e nunca mais consegui olhar da mesma maneira para o mundo. A Antropologia terá fatalmente uma palavra a dizer nessa área de pesquisa partilhada por biólogos, engenheiros, psicólogos, filósofos... Hoje, ao ver esta suculenta entrevista (recordo que Francisco Varela foi um reputadíssimo cientista do CNRS), dei particular atenção à reflexão em torno do que Varela chamou de poder constitutivo da empatia (a partir do minuto 36" aproximadamente), justamente, por ir ao encontro do que propõe Martha Nussbaum quando fala na necessidade de uma "cultura de empatia" (ver a desconstrução do indicador-fetiche dos economistas - o PIB - e alternativas que ela propõe aqui) e, também das ideias de Rudolph Arnheim ou ainda, num outro plano, de Frans de Waal, o primatólogo holandês que, entre outras obras, escreveu Primates and Philosophers e o recente The Age of Empathy - Nature's Lessons for a Kinder Society - autores a que fiz diversas alusões em posts de edições anteriores deste blog. Mas há mais nas suas preciosas palavras. Muito, muito mais...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

HÁS-DE CAIR REI MILHÃO


Escreveu Jacques LeGoff no seu livro dedicado a Fracisco de Assis, que «Nos episódios da sua vida, o único imperador mencionado é Otão IV, que, em 1209, passa perto de Assis, onde se encontram Francisco e os seus primeiros irmãos. Mas abstém-se de se misturar com os mirones que vão admirar a pompa imperial e proíbe os seus irmãos de participarem, com excepção de um único encarregado de lá ir e, com incessantes clamores, recordar ao imperador que a sua glória não durará. Quanto a Francisco, afirma que a única coisa que poderia ter dito ao imperador seria que mandasse ordenar a todos os possuidores de trigo e cereais que dele juncassem as ruas para dar participação na festa aos passarinhos «e sobretudo às irmãs cotovias»

(Jacques LeGoff - S. Francisco de Assis)

POR TODOS?...

Quando o primeiro ministro, o Álvaro ou o Gaspar, ou qualquer um dos fanáticos que os rodeiam e apoiam, vêm com a conversa dos "sacrifícios repartidos por todos", quase que tenho vómitos...



Those responsible for crimes against this world must be held accountable
No longer, no longer one law for the rich and another for the poor
It's unacceptable (these things are worth fighting for)
To unite for justice and equality for all (these things are worth fighting for)
When will we see the trial of the real criminals? (these things are worth fighting for)...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

É ASSIM...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O HORIZONTE VAZIO DO CAPITALISMO



Fez esta segunda-feira oito dias, João Marques de Almeida, 'professor universitário' (é assim que se identifica), escrevia no “Económico”, defendendo a política de Passos Coelho, que a ideologia deste governo “de salvação nacional” é salvar “a legitimidade democrática da democracia portuguesa”, contra a acusação da oposição de que apenas prossegue «uma agenda “neo-liberal” (seja ela o que for porque ainda não vi alguém definir “neo-liberalismo”)»… Ora isto de dizer que não sabe o que é o neo-liberalismo é um tique ideológico que revela uma de duas coisas: ou ignorância ou desonestidade intelectual. E o que é igualmente grave é, também, o implícito insulto ao povo chileno. Fez-me lembrar os tipos que dizem que em Portugal não existiu fascismo, apenas um regime autoritário. Esta cortina de fumo visa descolar as coisas dos nomes, fugindo à verdade. 'Descolar' pode até ser eufemismo, pois do que se trata aqui, também, é de uma forma de agressão conceptual que pretende, desde logo, descredibilizar o adversário. Mas a situação é bastante clara, apesar da distorção e do ruído sistemático de que se nutre esta legitimidade hegemónica: a expressão apostólica do neoliberalismo nutre-se da sua própria negação. Recusa confrontar-se com a realidade imoral do seu passado ou com os efeitos nefandos das suas propostas. Por isso nega também a história e a historicidade da economia. Os modelos de tipo auto-regulado, como um termostato, necessitam sempre de uma ordem de complexidade superior. Por isso estes adeptos da Mão Invisível, que nos dizem que é preciso empobrecer, para que se concretize o modelo que advogam, necessitam também eles de uma meta-ordem que lhes assegure as políticas sujas de desmantelamento das instituições, por forma a que sem intermediações reguladoras, o factor trabalho fique desprotegido e sem reacção face à ofensiva dos saqueadores. Por isso eles precisam do Estado - para o canibalizar. Mont Pelerin Society, Friedman e Pinochet, Reagan e Tatcher, o Consenso de Wahington… - tudo fantasias, hein? Mais e pior: este preconceito contra o uso do termo “neo-liberalismo” projecta nos outros o seu veneno de mentira, de dissimulação, de ocultação, de manipulação mediática, invertendo as acusações com recurso a termos que ele também precisará certamente de definir no seu ideário, do tipo ‘radicalismo’, ou ‘extrema esquerda’, por exemplo, usados geralmente para denegrir quem se esforça pela decência do bem comum - e aqui, claro, já não reconhecem "armas de arremesso ideológico". A esperteza é sempre a mesma: negar-se, ou até mesmo contestar-se ritualmente, para melhor legitimar a perpetuidade iníqua da sua condição. É ver, por isso, Vítor Bento, João Duque, Cantiga Esteves e companhia, ombreando com banqueiros e outros, na afirmação de que o neoliberalismo não existe, não sabem o que é, que é apenas um soundbite de arremesso político, etc… Noutros casos, vigora a ideia de que as mentiras repetidas até à exaustão produzirão alguma verdade, tal como no mistério da transubstanciação, ou da criação de valor...

Se o João Marques de Almeida precisar de bibliografia, eu recomendar-lha-ia, assim como a maior parte dos académicos que conheço certamente fariam. Mas duvido que ele precise. Precisará o João Marques de Almeida de definir ‘capitalismo’? A sua ciência são definições? Nem Wallerstein, nem Hobsbawm nem Braudel se reduzem a isso. E a flutuabilidade do significante, que lugar lhe reserva no horizonte da condição humana? Decididamente, penso que a rejeição da expressão corrente ‘neo-liberalismo’’ por parte destes seus acólitos mais não revela do que a rejeição do próprio sentido crítico implícito na identificação e na interpretação histórica dos fenómenos sociais e da sua dinâmica. Se pensarmos que para esta gente, como para a baronesa Tatcher, a “sociedadede” também não existe, então percebe-se um pouco melhor o esvaziamento agressivo dos laços sociais e a natureza do preconceito contra este tropos tão amplamente trabalhado na academia há mais de uma década, tanto pelos economistas heterodoxos, como pelos politólogos, geógrafos, sociólogos, antropólogos, filósofos… e até mesmo – veja bem, João Marques de Almeida: por jornalistas, comentadores e políticos!… É claro que, entre estes, o panorama é diverso, mas há ilustrações reveladoras. Ontem mesmo, por exemplo, Mário Crespo entrevistava Arménio Carlos, da CGTP, e reagia incomodado ao facto deste usar, naturalmente, a palavra 'exploração', nunca deixando uma sequência de pensamentos do entrevistado chegar ao seu termo, interrompendo muito. A exploração do homem pelo homem, ou a exploração do trabalho por parte do capital, é um tópico histórica e sociologicamente elementar, mas apesar disso, Mário Crespo - depois de se referir aos "privilégios" dos trabalhadores - diz lá na sua languidez pastelosa que o termo é muito forte. Parece que há muita gente, mesmo, empenhada na descredibilização dos adversários... Para além de terem capturado nações, estados, empresas, media... e de sugarem alarvemente das carótidas indefesas da economia, isto é gente capaz de querer sequestrar também as palavras...